Um inverno difícil para o papagaio-do-mar
Desde janeiro de 2026 foram registadas no Parque Natural do Litoral Norte mais de 510 observações de papagaios-do-mar arrojados ao longo de apenas 16 km de costa, segundo dados do projeto Parque Natural do Litoral Norte na plataforma iNaturalist.
Isto corresponde a cerca de 32 aves por quilómetro de costa — um valor invulgarmente elevado para uma espécie que passa praticamente toda a sua vida no alto mar.
O papagaio-do-mar (Fratercula arctica) é uma ave marinha do grupo dos alcídeos, típica das águas frias do Atlântico Norte. Nidifica sobretudo em ilhas e falésias da Islândia, Escócia, Noruega e Canadá, escavando tocas no solo onde cria apenas uma cria por ano.
Durante o inverno, estas aves abandonam completamente as colónias e passam meses em mar aberto, onde se alimentam de pequenos peixes pelágicos — como lanções e juvenis de arenque — capturados através de mergulhos que podem ultrapassar 30 a 40 metros de profundidade.
Por essa razão, encontrar um papagaio-do-mar em terra não é normal. Quando aparecem na costa, geralmente significa que estão exaustos, debilitados ou mortos, muitas vezes após períodos de tempestades intensas ou dificuldades em encontrar alimento.
Este fenómeno pode estar associado aos chamados “wrecks” de aves marinhas, episódios em que condições oceânicas adversas levam grandes números de aves pelágicas a dar à costa.
Importa também recordar que esta espécie está classificada como Vulnerável na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature, refletindo um declínio significativo das populações no Atlântico Norte nas últimas décadas.
Além de alertar para a ecologia desta espécie extraordinária, estes dados demonstram também a importância da ciência cidadã. Cada fotografia e cada registo ajudam a compreender melhor o que se passa no oceano.
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